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Mergulho no santuário da Ilha das Cabras é terapia para vida corrida e ótima opção de passeio em Ilhabela

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Guilherme Forte Barra

Mergulho no santuário da Ilha das Cabras é terapia para vida corrida e ótima opção de passeio em Ilhabela

Com todos os atrativos turísticos que Ilhabela exibe na superfície, quem visita o arquipélago nem imagina que sua beleza também encanta aos olhos debaixo d’água. Local ideal para a prática do mergulho, com excelente visibilidade, o santuário ecológico da Ilha das Cabras, bem próximo ao atracadouro na saída da balsa, no sentido sul, é o escolhido de 10 entre 10 amantes desse esporte. A Ilha das Cabras é um santuário repleto de vida marinha, que fica em frente a praia das Pedras Miúdas, com vasta diversidade de vida marinha, que desde 1992 é protegida por lei sendo proibida qualquer atividade de pesca e agressão ao meio ambiente.

A reportagem do JDL mergulhou com o apoio da operadora Colonial Diver, que fica bem em frente a esse paraíso, atuando há aproximadamente 30 anos no ramo. O visitante recebe todo o apoio, independentemente do nível e prática de mergulho, com informações e equipamentos, sendo muito bem recebido pela equipe. São três modalidades de mergulho oferecidos com preço a partir de R$ 25 por pessoa, no chamado mergulho livre com colete salva vidas, máscara, snorkel, pé de pato e o bote para o traslado da praia até a ilha e depois o retorno. O mergulho tem duração de aproximadamente 1 hora.

A gerente, Kelly Rodrigues, explicou que, além deste, que pode ser feito sem a presença de um instrutor a outra modalidade é o mergulho Discovery Dive, feito pela reportagem, acompanhado por um instrutor, que dura cerca de 2 horas. “O valor é R$ 350, parcelado no cartão de crédito ou a vista R$250 em dinheiro ou no débito, também temos o curso de mergulho certificado que dura dois dias e meio, geralmente começando na sexta-feira a tarde com cerca de quatro horas de aula/teoria, no sábado treinamento na piscina, pausa para o almoço, depois a tarde, mergulhamos no mar, no domingo pela manhã mais mergulhos no mar, pausa para o almoço, e finalização da teoria. O curso sai R$1.490”, disse a gerente, que ainda destaca que os alunos recebem a certificação PADI (Professional Association of Diving Instructors) ou em português Associação Profissional de Instrutores de Mergulho. A certificação PADI é considerada entre os profissionais da área com melhor credibilidade no mundo.

Preparativos

Antes de cair na água e aproveitar o passeio, os aspirantes a mergulhadores recebem uma série de informações teóricas de procedimentos durante o mergulho, que é uma experiência única e faz com que esqueçamos de todo o mundo fora d’água. O Discovery Dive é um mergulho por uma espécie de circuito de mergulho, que começa perto do píer e segue costeando a ilha, e o mergulho pode acontecer até no máximo 9 metros de profundidade. O circuito serve não só como referência visual, mas também de apoio aos iniciantes.

Durante o briefing, o instrutor de mergulho e mergulhador profissional Filipe Lott, com 30 anos de carreira e 8 mil mergulhos no currículo, explica detalhes do que se deve fazer, o que não fazer e os procedimentos mais importantes para o mergulho, como a respiração e as técnicas de equalização, que nada mais é do que o equilíbrio da pressão nas cavidades aéreas da cabeça, ou seja, os ouvidos e nariz. “Se você não consegue equilibrar a pressão interna com a externa pode ter dificuldades para mergulhar”, diz Lott, que ainda frisa detalhes como posicionamento no mergulho, como se locomover em baixo d’água, os sinais de comunicação, entre outros. “Os braços ficam relaxados, bate-se só as nadadeiras, passamos todas essas informações para as pessoas que são iniciantes”.

Lott também explica que o Discovery Dive acontece em uma profundidade muito segura. “Quanto mais raso você mergulha, mais vida marinha você vai ver”. “A hora que os alunos entram na água, tudo se resolve. A respiração deve ser lenta, profunda a preocupação maior que se deve ter não é na inspiração e sim na exalação. Esse é um erro comum entre os iniciantes. Quanto mais lento e mais exalar você conseguir, mais relaxado fica.  Estando mais relaxado, você raciocina melhor e aí o mergulho é feito com mais tranquilidade”, diz Filipe, que ainda entrega: “O segredo do sucesso no mergulho está na sua respiração sempre lenta, profunda e calma”.

Basicamente, de acordo com Lott, a maioria das pessoas procura o mergulho por lazer, mas ele lembra de ter presenciado casos de alunos que também já mergulharam por superação pessoal. “Uma vez tive uma aluna que não sabia nadar, tinha pânico de água, totalmente avessa a água, ela fez o curso inteirinho, concluiu perfeitamente, recebeu o certificado e me disse que provavelmente nunca mais iria mergulhar na vida. Eu fiz isso aqui [o curso de mergulho] para provar a mim mesma que sou capaz”.    

O mergulho

Quem acompanhou a reportagem do JDL foi o DiveMaster, Guilherme Forte Barra, que é o auxiliar de instrutor de mergulho apto a acompanhar os “mergulhadores”. Já na equipagem o profissional orienta como proceder com o regulador de respiração, que deve ser selado com os lábios para evitar engolir água e como usar a mascara de mergulho corretamente, entre outros detalhes, como os sinais de comunicação estabelecidos pelo código internacional de sinais.    

Com todas as informações, só resta aproveitar o passeio, que dura cerca de 40 minutos. O DiveMaster se esforça para sempre acompanhar seus clientes. Em média, nesse mergulho, o profissional acompanha duas pessoas registrando os principais pontos do passeio com uma câmera Go Pró. São mais de 240 espécies de peixes que habitam o santuário ecológico da Ilha das Cabras, incluindo espécies endêmicas, como a anêmona Cerianthus, que só foi descrita por pesquisadores no litoral brasileiro nesse local. Segundo Guilherme, em poucos lugares do mundo existe essa diversidade de vida marinha tão rica como na ilha.  

Além dos peixes, o mergulho também oferece paz que, ao final, uma sensação comum entre os praticamente é a tranquilidade e a gratidão por contemplar sem falar, sem interagir e tocar nos animais sendo um exercício de humildade, bastante em falta na humanidade hoje em dia.

A administradora de empresas paulistana, Nicole Roque, concorda. Ela fez o mergulho acompanhada do namorado Silas Lelis, engenheiro eletricista. “A gente fez para relaxar. Nós não vamos viajar no Réveillon pela quantidade de pessoas, trânsito, e resolvemos vir antes para aproveitar o fim de semana, curtir, nós fomos fazer o mergulho para ver os peixinhos”, diz a jovem que visita o arquipélago pela terceira vez e trouxe o namorado pela primeira vez à Ilhabela.

Mergulho em Alcatrazes

No último domingo (16), também foi realizado o primeiro mergulho aberto para visitação pública no arquipélago de Alcatrazes guiado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) visando atividades de mergulho recreativo e observação. Antes de chegar a esse dia histórico, a liberação para operar em Alcatrazes foi marcada por diversas polêmicas.  A portaria de autorização para visitação pública em Alcatrazes e acordo de cooperação com a SOS Mata Atlântica foi assinada em setembro do ano passado na Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião.

Com a abertura do arquipélago de Alcatrazes para visitação, empresas de turismo e profissionais autônomos, que atenderem aos pré-requisitos estabelecidos pelo documento, poderão se cadastrar para prestar serviço de visitação ao arquipélago, incluindo o mergulho. De acordo com ambientalistas, a demanda por visitação a Alcatrazes é antiga, desde a década dos anos 90, quando se iniciaram ações para a criação do Parque Nacional Marinho dos Alcatrazes, com a proposta do aumento da área marinha protegida e implementação do ecoturismo para o desenvolvimento sustentável regional.

Alcatrazes é um dos maiores refúgios ambientais do país com a presença de fragatas, atobás e cerca de outras 250 espécies de peixes, além da tartaruga-verde e da tartaruga-de-pente, ambas ameaçadas de extinção.
Exposição Jeannis
Alemazzoni

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  • Filipe Lott

    26/12/2018 16h22min

    Olá Marcello ! Gostaria de parabenizá-lo pela maneira como narrou o texto, realmente nos faz sentir parte da história e dá vontade de mergulhar ! Agradeço também pela oportunidade de divulgar este esporte que tanto amo. Como você mesmo sentiu o que é mergulhar tenho certeza que muitos ficarão entusiasmados para fazer o mesmo. Qualquer coisa estamos por aqui. Grande abraço ! Filipe Lott - Diretor de Cursos da Colonial Diver Ilhabela.